A multiplicidade do olhar de Mabe

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Manabu Mabe (1924-1997) indubitavelmente é um dos grandes artistas nipo-brasileiros e um expoente do abstracionismo em nossa história da arte. De carreira longeva e produção numerosa, os laços de trabalho e amizade que manteve com a Galeria de Arte André se estendem até hoje, já que o espaço sempre o tem no acervo e exibe com regularidade em mostras trabalhos de sua autoria.

A primeira individual do artista nascido em Uto (hoje parte de Shiranui) acontece em 1977 na galeria, ainda no estabelecimento localizado na alameda Jaú. A exposição tinha uma divulgação precursora, já que foi feito um pequeno folder, com a reprodução das obras apresentadas. Naquela época, não era comum fazer publicações, e a galeria começara tal prática já no ano anterior, não abandonando até hoje tal documentação.

O prestígio do pintor remonta quase 20 anos antes, quando, na 5ª Bienal de São Paulo (1959), ele recebera o Prêmio de Melhor Pintor Nacional, recebendo a láurea das mãos do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976). No mesmo ano, ganha bolsa e passa um período em Paris. Expõe em diversos países, como México, EUA, Itália, Reino Unido e Japão. Em 1975, já um célebre artista, ganha retrospectiva no Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Quatro anos depois, ocorre um dos episódios mais estranhos em sua longa trajetória. Em 30 de janeiro de 1979, o vôo Varig 967, que saíra de Narita (Japão) para escala em Los Angeles (EUA) e destino final o Galeão, no Rio de Janeiro, desaparece no Oceano Pacífico. O cargueiro levava 61 telas do nipo-brasileiro, incluindo trabalhos premiados em São Paulo e Veneza, como O profeta e Canção melancólica. Nunca foram localizados destroços nem vestígios do avião e as razões para o desaparecimento continuam um mistério.

Nas décadas seguintes, continua a ser um nome de prestígio na arte nacional. Trabalha em outros suportes e áreas, como a tapeçaria e a moda. Marcando tal êxito, ganha em 1995 uma grande mostra na André - 50 Anos de Pintura. Dois anos depois, morre em SP, em decorrência de um transplante de rim feito em 1996. "O estudo da produção de Mabe implica compreender seus embates, suas conquistas, hesitações e contradições, a persistência dos liames orientais em sua produção, a excelência do ato pictórico-caligráfico e o sentido de sua pintura no contexto da modernidade brasileira do pós-guerra", avalia o crítico e curador Paulo Herkenhoff, em 2012.

Capa do catálogo da exposição de Mabe em 1977

 

Venturoso, 1976, óleo sobre tela

 

Sem Título, 1977, óleo sobre tela, 51 x 51 cm

 

 

Sem Título, 1987, óleo sobre tela, 75 x 75 cm

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