Darcy Penteado e o ativismo queer
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Darcy Penteado (1926-1987) tem papel fundamental no ativismo queer e nos debates sobre identidade e gênero na cultura brasileira, Uma das principais contribuições é o periódico Lampião da Esquina, que causou muita repercussão quando circulava, no início dos anos 1980 e ainda sob ditadura militar, com reportagens e entrevistas polêmicas tratando de temáticas que eram tabu à época.

Colagens do periódico Lampião da Esquina expostos na Galeria de Arte André durante a individual Darcy Penteado 100 Anos
A multiplicidade da produção de Penteado é o foco da individual comemorativa dos 100 anos de nascimento, com cerca de 80 trabalhos, entre pinturas, desenhos, gravuras, retratos, figurinos e colagens, e dezenas de itens de documentação – livros, esboços, periódicos, cartazes e fotografias, entre outros. A curadoria é de Jaqueline Ferreira e Octávio Guastini. A mostra segue em cartaz até 22 de junho na Galeria de Arte André.
Darcy Penteado, Jequitimar, 1968 - nanquim sobre tela
A exposição integra o projeto Monográficas, na André, que chega à nona edição. O programa tem o objetivo de exibir com mais fôlego a obra de artistas de reconhecido valor (e que, por vezes, estão com visibilidade menos ostensiva dentro do circuito) que se relacionam com a própria história da galeria
Darcy Penteado, O Adeus, 1987 - óleo sobre tela
Em Darcy Penteado, 100 Anos, é notável e inédita a reunião da faceta de artista visual, organizada pela curadoria por meio da pesquisa em acervos públicos e particulares por mais de um ano. E são surpreendentes as novas perspectivas que obras que ficaram por anos em circulação restrita. Por exemplo, a série de colagens Proposta para uma nova Via Crucis (1966), exibida antes no Masp não deixa de ser provocativa mais de 50 anos após sua estreia. No início dos anos 1960, se radicou na Europa, onde o estilo post-pop chama atenção da crítica, inclusive a de medalhões como o italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992).
Para além das conhecidas facetas de escritor, renomado figurinista, cenógrafo do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e ilustrador de livros fundamentais de nomes como Graciliano Ramos (1892-1953) e Hilda Hilst (1930-2004), perscrutar a plasticidade das obras de Penteado atesta a versatilidade da práxis do artista e sua poética que transbordava a discussão da identidade. E demonstra que quase nada foi investigado dentro de um riquíssimo legado e que necessita um melhor abrigo e tratamento em sua São Roque natal.
Darcy Penteado, Pierrô - pastel sobre papel
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