Os surpreendentes arquivos da Bienal de São Paulo, de Carybé a Sendin | Galeria de Arte André

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19/04/2021

Os surpreendentes arquivos da Bienal de São Paulo, de Carybé a Sendin

O Arquivo Histórico Wanda Svevo, mais conhecido como Arquivo Bienal, é um dos mais importantes repositórios documentais sobre a produção moderna e contemporânea das artes visuais na América Latina. Mais de 1 milhão de documentos testemunham numerosos aspectos dessa exposição, realizada desde 1951 e que completa neste ano 33 edições, sendo aberta em outubro próximo com a curadoria do italiano radicado em São Paulo Jacopo Crivelli Visconti.

 

Francisco Matarazzo Sobrinho, na entrega da escultura "O índio e a suaçuapara", de autoria de Victor Brecheret, oferecida a cidade da Antuérpia, ao embaixador da Bélgica no Brasil, Sr. Louis Colot e ao cônsul geral, Maurice Wechx.

 

Esse acervo foi constituído a partir da pesquisa de Svevo desde 1954 e forma uma vasta documentação reunida pela Fundação Bienal de São Paulo, pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo e por seu fundador, Francisco Matarazzo Sobrinho (mais conhecido por Ciccillo), disponível para consultas presenciais (quando liberado pelas autoridades sanitárias) e virtuais. Alguns números impressionam: 40 mil volumes na biblioteca, 15 mil pastas de dossiês de artistas, 70 mil ampliações fotográficas, 61 mil cromos e negativos.

 

Vista geral da 4ª Bienal. No vão central, Sala Especial: Victor Brecheret.

 

A biblioteca é formada a partir da pesquisa curatorial das Bienais de Arte e de Arquitetura, além de permutas e doações de outras instituições, e inclui títulos sobre história e crítica de arte, arte-educação, catálogos de artistas, de outras bienais e de mostras nacionais e internacionais.

Por meio do site, é possível pesquisar documentos e participações dos principais artistas nacionais e dos fatos mais marcantes da história da arte em terras brasileiras.

 

Artistas da André em foco

 

A Galeria de Arte André, a mais antiga do Brasil em funcionamento, com 62 anos de atividade ininterrupta, conta com muitos dos seus artistas (de acervo e com individuais e representações) com passagens marcantes por edições desse grande evento cultural paulistano - e com ressonância mundial, já que a Bienal de São Paulo só encontra similares em tradição e prestígio com a Bienal de Veneza, na Itália, realizada desde 1895, e a Documenta de Kassel, na Alemanha, ativa de cinco em cinco anos desde 1955.

O Arquivo Bienal, dentro de um programa de estímulo e divulgação de âmbito municipal, destacou recentemente em seus canais digitais a presença de Carybé (1911-1997) na história do evento. O artista argentino radicado na Bahia teve estreitas relações com a André, como, por exemplo, em individual de 1984 com histórico texto de Jorge Amado (1912-2001) sobre a produção à época. Participou de oito edições da BSP, ganhando, inclusive, sala especial na 6ª (1961).

Um dos chamarizes para atrair importantes artistas do exterior, as premiações da Bienal de São Paulo seguiram da primeira edição, em 1951, até a 14ª, em 1977, esta com presença no júri de seleção de Carlos von Schmidt (1929-2010), crítico e curador com fortes elos durante anos na André.

 

Clóvis Graciano

Manabu Mabe

Tomie Ohtake na Bienal

A Bienal recebeu as placas esculpidas com imagens de orixás por Carybé  

Entre os premiados, diversos artistas com ligações com a André podem ser citados. Já na primeira edição, Victor Brecheret (1894-1955) venceu na categoria escultura nacional, e Aldemir Martins (1922-2006), em desenho nacional. Na segunda edição, em 1953, os contemplados em pintura nacional foram Di Cavalcanti (1897-1976) e Volpi (1896-1988), e Bruno Giorgi (1905-1993), em escultura nacional. Na terceira, em 1955, Aldemir e Carybé levaram em desenho nacional. Já na quinta, em 1959, Manabu Mabe (1924-1997) alcança a consagração com o prêmio em pintura nacional. E Armando Sendin (1928-2020) seria agraciado com um dos Prêmios Bienal de São Paulo na 12ª edição, em 1973, por júri que tinha, entre outros, o crítico Antonio Bento (1902-1988).

 

Barco, 1975, Armando Sendin

 

 

Fontes

 

Arquivo Bienal

http://bienal.org.br/arquivo

 

AMARANTE, Leonor. As Bienais de São Paulo - 1951 a 1987. São Paulo, Projeto, 1989

 

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