Mercado de Arte II - Do Marchand às primeiras Galerias | Galeria de Arte André
09/09/2020

Mercado de Arte II - Do Marchand às primeiras Galerias

    Dentro da modernidade na história do galerismo, os Países Baixos têm uma importante posição. No final do século XIX, Theo Van Gogh (1857-1891) se destacava no mercado de arte em seu país. A partir do seu auxílio financeiro, seu irmão Vincent Van Gogh (1853-1890) pôde se dedicar unicamente à pintura. Theo introduziu Vincent a vários artistas como Paul Gauguin, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Camille Pissarro e Georges Seurat. A história de Theo ilustra bem o embrião do que viria a ser um galerista: aquele que deixou de ser apenas um marchand e passou a cuidar do artista.

Portrait of Theo Van Gogh, 1887, Vincent Van Gogh

    De acordo com o artigo “A Brief history of art dealing”, Paul Durand-Ruel é considerado o primeiro negociante de arte moderna a apoiar seus artistas com bolsas mensais e exposições individuais. Durand-Ruel levou anos para recuperar o dinheiro que gastou investindo nos impressionistas, que durante muito tempo foram subestimados. Mas por meio de suas galerias em Paris, Londres e Nova York e da aposta nessa nova arte ousada, Durand-Ruel acabou conquistando o público e marcou uma virada relevante nesse meio.

 

Durand-Ruel coordenou as carreiras de Claude Monet, Camille Pissarro, Edgar Degas e Pierre-Auguste Renoir, em Paris no final do século XIX

 

    A importância das galerias para o desenvolvimento da arte foi reconhecida muito cedo pelo Império Britânico, que, entre 1845 e 1850, previa incentivo tanto para museus quanto para galerias de arte. De acordo com June Cochrane no artigo “Art Galleries”, o surgimento de galerias é uma conquista vitoriana, de Birmingham, em 1867, a Cardiff, em 1912. Duas galerias notáveis, a Tate e a Wallace Collection, em Londres, foram abertas por meio de doações privadas na década de 1890.

    A partir deste momento, o mercado de arte passa a apresentar aspectos que fazem dele célebre por ser marcadamente idiossincrático. Isso vem pela natureza do que é a arte para os indivíduos e para a sociedade, envolvendo fatores muito subjetivos como desejo, emoção, vaidade, luxo e excentricidade. E logo começaria a entrar em cena a especulação financeira.

 

Joseph Duveen, posando para um retrato em 1933

 

Livro sobre a história do império do comércio de arte "Duveen Brothers"

 

    O inglês Joseph Duveen (1869-1939) diversificou os negócios da família introduzindo a arte nos distritos mais ricos de Londres, Nova York e Paris. Entre seus clientes, estavam alguns dos homens mais ricos da América na época, incluindo Henry Clay Frick, William Randolph Hearst, J. P. Morgan, Henry E. Huntington, Samuel H. Kress, Andrew Mellon, John D. Rockefeller e Joseph E. Widener. Grande parte do sucesso de Duveen é atribuída à sua percepção de que a única coisa que iludiria tais figuras, que de outra forma tinham tudo o que o dinheiro podia comprar, era o sentimento de imortalidade que somente a arte poderia conceder.

 

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Retrato de Ambroise Vollard, 1908. The Courtauld Gallery, London. The Courtauld Gallery, London, UK / Bridgeman Images

 

    Enquanto Duveen estava se tornando extremamente rico vendendo a obra de artistas há muito mortos, dois de seus contemporâneos trabalhavam horas extras para desviar  atenção e dinheiro para as obras dos artistas europeus mais recentes que estavam prestes a inaugurar a era do modernismo. Seguindo os passos de Durand-Ruel, Ambroise Vollard (1866–1939) e Daniel-Henry Kahnweiler (1884–1979) venderam algumas das maiores obras de arte criadas por revolucionários como Georges Braque, Paul Cézanne, André Derain, Juan Gris, Fernand Léger e Pablo Picasso. A prática de Vollard de comprar uma grande parte dos trabalhos de um artista e depois revender a obra para um lucro notável lhe rendeu alguns detratores. Mas para além de ganhar dinheiro e publicar biografias sobre Cézanne, Edgar Degas e Pierre-Auguste Renoir, ele teve um dos melhores olhos de qualquer revendedor de todos os tempos.

 

Kahnweiler em seu escritório na rue Monceau, 1962

    Já Kahnweiler era um historiador de arte respeitado. Como uma das primeiras pessoas a reconhecer a importância da pintura de Picasso Les Demoiselles D'Avignon (1907), ele foi reconhecido como merecedor talvez de um dos mais altos elogios que um negociante de arte pode aspirar: ele era um connoisseur.

 

 

Fontes :

https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-history-art-dealing

https://www.theartstory.org/

https://gagosian.com/quarterly/2020/03/11/game-changer-daniel-henry-kahnweiler/

https://www.frick.org/shop/art_frick_collection/duveen_brothers

https://www.nicologallio.com/2015/05/inventing-impressionism-durand-ruel/

 

 

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