Jorge Mori, entre a surpresa e a discrição | Galeria de Arte André

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20/04/2021

Jorge Mori, entre a surpresa e a discrição

Jorge Mori (1932-2018) é um artista do grupo de nipo-brasileiros cuja recepção no meio das artes visuais passou por uma curiosa dicotomia. Desde cedo, abriga uma ressonância de impacto por uma qualidade técnica em pintura bastante precoce e, ao mesmo tempo, viveu momentos de ostracismo e não tão explicável falta de atenção em seus momentos finais.

 

Podem ser citados alguns exemplos. Em 1947, ganha sua primeira individual na importante galeria Itá, na alameda Barão de Itapetininga, Centro de São Paulo, quando tinha apenas 14 anos. No mesmo ano, estreia em individuais fora de São Paulo exibindo suas pinturas na prestigiosa Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Desde aí, ja atrai a atenção de grandes nomes da crítica de arte, como Sergio Milliet (1898-1966) e Mario Pedrosa (1900-1981). Contudo, por conta do centenário da imigração japonesa no Brasil, em 2008, tem pouca presença nas numerosas mostras que ocorreram no circuito paulistano. Duas das exceções são Um Círculo de Ligações - Foujita no Brasil, Kaminagai e o Jovem Mori, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) da cidade, com curadoria de Aracy Amaral, e Laços do Olhar - Roteiros entre o Brasil e o Japão, no Instituto Tomie Ohtake, em que o curador Paulo Herkenhoff levanta algumas ideias sobre o que podemos tratar como frieza em relação ao artista, entre outras questões.

 

Na história da Galeria de Arte André, Mori sempre foi tratado com deferência e importância. A primeira individual quando o nipo-brasileiro regressa da França e se fixa novamente em SP é realizada em 1977, quando a galeria ainda era localizada na alameda Jaú. Mori recebe um catálogo apurado - não era tradição à época a publicação de tal material - e tem resenha crítica assinada por Pietro Maria Bardi (1900-1999), grande nome da arte nacional e figura de importância indiscutível na história do Masp (Museu de Arte de São Paulo). "Definiria a manifestação: a consciência da arte Pintura. Não realista, não hiper-realista, mas franca afirmação do ver, do compreender, do transpor, possibilitando ao observador o encontro com uma poética inteligível e a sugestão que nos oferece o recôndito e o mistério da realidade", escreve Bardi na publicação de 1977 da André.

Recentemente, Mori participou de duas exposições coletivas bastante relevantes na André, já que as duas compunham a programação especial de festejos pelos 60 anos da galerias: Entre Artes e Ofícios, Centros e Arrabaldes, em abril de 2019, e André, 60 - Da Academia ao Virtual, em novembro de 2019, ambas com curadoria de Mario Gioia.

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